Coçando o ouvido com uma tampa de caneta

Lauren Cooper

Aprender a pintar com rolo sem sujar o chão e aproveitar bem a tinta aplicada a parede é de um prazer imenso. Que dor de cabeça manchar tudo ao redor e cansar desnecessariamente fazendo errado!

Quando o conhecimento chega pela experiência própria e em solitude, acompanhado talvez de um breve tutorial pelo Youtube, parece que a vida ganha um ressignificado. Nos sentimos mais vivos. Talvez seja como sair de uma caverna escura e abafada de ignorância para ver o sol e o ar limpo que cobre o mar do lado de fora(a Verdade nos tira do breu, liberta mesmo).

Entretanto, no início é só fadiga. O tempo passa devagar. Não vemos a hora de encerrar a lambança. Mas de repente, no meio do processo desengonçado, uma nova tentativa de execução dá certo. Tudo muda. A empolgação pelo início de um aprendizado tem um gosto incrível.

Quantas cenas e coisas pequenas numa segunda-feira podem ser gratificantes! Filipenses 4:8 nos ajuda a coletar tudo aquilo que é bom, não importa a escala de grandeza dada pelos homens, se é verdadeiro, justo, puro, automaticamente revigora, dá saúde pra emoção e se torna digno de ser compartilhado, assim como o prazer de aprender a relaxar coçando o ouvido com uma tampa de caneta(mas infelizmente isso gerou uma Otite em mim, não façam isso).

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Notícias ruins e acordes feios são difíceis de combinar

 

rakshabandhansale

De repente tudo muda, céu nublado sobrepõe as cores vivas no horizonte. A gente fica sem chão, sem ar, sem palavras. Parece que a alma sofre um bug em seu sistema. Estremecem as emoções.

Isso é o que pode acontecer quando tristezas chegam.

Como continuar então a compor a música da vida ? Que letra e combinações de notas inserir a partir da dor ? Fica cada vez mais difícil responder, ao passo que os dedos e as cordas vocais não emitem som corretamente. A lógica vai embora e acena a distância.

Bom, mesmo assim, há consolo.

Notícias ruins e acordes feios são difíceis de combinar, mas acabam tendo considerável papel na hora de complementar o refrão da esperança, que diz: “o próprio Deus enxugará suas lágrimas, e a morte não estará mais no fim das páginas”.

Mudança

 

Há bastante trabalho numa alteração de vida e quebra na rotina do endereço atual.

O caminhão do frete não é barato, vem calor na nuca, a mobília pesa e deixa a perna bamba. Várias são as caixas para organizar os pequenos objetos no traslado. Muita coisa até vai fora nesse processo, ficando somente o que vale a pena ser considerada vital a nova moradia.

E não podemos fugir do esforço, do engajamento físico e mental que isso exige, da luta e da entrega quando entramos no trajeto da mudança. Não dá pra se esquivar do soco.

O lance é encarar a responsabilidade, sem esperar sentado e que tudo aconteça em forma de clique como no The Sims.

Daí a gente vira adulto. E virar adulto é não mais depender do pai e da mãe pra limpar o esterco de nossas inconseqüências e omissões. Sendo assim, tem coisa boa na dificuldade que é mudar de CEP, porque o coração também muda ao olhar uma nova empreitada e geografia, melhoria simultânea, parceria com Deus.

Ele vai lado a lado, gosta de nos levar por vales, sombras, pastos, águas tranqüilas, tempestades, cavernas, palácios e jardins, vai nos deslocando daqui e dali, até o dia que não precisaremos mais, pois estaremos no local final, na pátria e habitação celestial.

Até lá, muitas mudanças estão por vir.